Investigação requisitou exame residuográfico em Ilana e também em Renato Kalil. A polícia ainda pediu que seja avaliada a "possibilidade de constatação de manuseio da arma por outra pessoa". Em depoimento, o médico admitiu que discutiu com a esposa horas antes da morte e afirmou que ela "estava irritada com o Instagram"
O Ministério Público informou nesta terça-feira (15) que está acompanhando as investigações da Polícia Civil sobre a morte de Ilana Kalil, esposa do ginecologista Renato Kalil.
Em depoimento à polícia, Kalil disse que Ilana tomava medicamentos controlados e afirmou que os problemas do casal passaram a ser mais constantes nos últimos tempos. Kalil admitiu que os dois discutirem na noite de domingo, horas antes da morte da esposa.
O médico contou que, na madrugada de segunda, Ilana estaria irritada por causa de seu Instagram. O último post dela, nos Stories, dizia: “Fui censurada de novo. E lá vai… Quem viu, viu. Quem não viu, não vai ver mais. E viva a ditadura”.
No boletim de ocorrência, há referência ao episódio de forma genérica: “Ilana estava revoltada por ter tido que apagar o seu Instagram por questões outras que o casal vinha enfrentando”.
Os dois teriam se deitado por volta da uma da manhã. Kalil relatou à polícia que a mulher não teria conseguido dormir e, depois de uns 40 minutos, foi para a sala, no andar inferior da casa.
Ainda de acordo com a versão apresentada pelo médico, por volta de 3h40 da madrugada de segunda-feira, ele teria ouvido um tiro. A mulher teria enviado mensagens a ele se despedindo. Ele afirma que a encontrou na sala e que na mesa havia uma carta de despedida e uma garrafa de bebida. Segundo o ginecologista, ela já estava morta.
Kalil diz que acionou os seguranças da rua onde vive que, por sua vez, chamaram socorro e a polícia. Segundo sua versão, a arma pertencia a seu pai, estava escondida e em situação regular. Ele afirmou também que a mulher não sabia manusear armas.
Os policiais ainda vão analisar o laudo do IML (Instituto Médico Legal) e da perícia no local para confirmar o suicídio ou abrir outra linha de investigação.
VEJA TAMBÉM: “Abri os olhos e ele estava com o pênis na minha boca”, diz ex-paciente de Renato Kalil
De acordo com o BO, foi requisitado exame residuográfico em Ilana e também em Kalil, a fim de detectar vestígios do uso de arma de fogo. A polícia ainda pediu que um médico legista comparecesse à casa para “retirar qualquer dúvida quando do disparo” e também para avaliação da “possibilidade de constatação de manuseio da arma por outra pessoa”. Foi pedido exame toxicológico da vítima.
RENATO KALIL
Renato Kalil é médico com especialização em ginecologia e obstetrícia. Foi responsável pelo parto de celebridades como Julia Faria e Andréa Sadi e já atendeu a apresentadora Luciana Gimenez.
No início de dezembro de 2021, a fama e o reconhecimento profissional de Kalil foram colocados à prova, depois que a influenciadora Shantal Verdelho compartilhou as filmagens do parto de seu segundo filho.
No vídeo, Renato aparece ofendendo a paciente, chamando-a de “viadinha”, realizando a manobra de Kristeller e tentando convencê-la a tomar uma medicação que acelera o trabalho de parto, mas é contraindicada para mulheres que já realizaram cesárea anteriormente.
A influenciadora decidiu levar a denúncia adiante, e registrou um boletim de ocorrência contra o médico, o que permitiu que a Justiça abrisse um inquérito para investigar a atitude do ginecologista.
OUTRAS DENÚNCIAS
Após o caso de Shantal Verdelho, várias mulheres se encorajaram a denunciar Kalil. A bancária Letícia Domingues disse que foi abusada mais de uma vez pelo obstetra e ginecologista na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 1991. Outra vítima revelou que Kalil exibiu o pênis em uma consulta depois de um parto traumático, em 1993.
Até o início de fevereiro, no inquérito policial em curso, em São Paulo, 14 mulheres além de Shantal haviam prestado depoimentos acusando Kalil de violência obstétrica e também de assédio sexual.
** O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende gratuitamente e sob sigilo todas as pessoas que precisem conversar sobre suícidio por telefone (no número 188), email e chat 24 horas por dia **