Ex-presos políticos chegam
Sob pressão internacional e das “damas de branco” desde a morte de Orlando Zapata em fevereiro, Havana optou por fazer do limão uma limonada. Livra-se dos embaraços deixados pelo surto repressivo de 2003, quando a combinação do recrudescimento de manifestações contra o regime com a invasão do Iraque, efetuada no dia seguinte às prisões, fez o governo temer um ataque dos EUA. Certamente, espera melhorar as relações com a Europa e viabilizar investimentos estrangeiros necessários à sua economia combalida.
Os dissidentes festejam. Esperam ganhar influência e ver o governo cubano fracassar em oferecer mudanças capazes de motivar seu povo cansado de sacrifícios. Descrevem as más condições nas prisões da ilha, duvidam de que sua libertação melhore as relações externas de Cuba e prometem continuar a luta. Mas também reclamam dos dormitórios e banheiros coletivos do albergue em Madri onde foram abrigados até que consigam emprego numa Espanha em crise. Pensavam que o capitalismo fosse outra coisa.